sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

PENSAMENTO....


Ah! Ficam as recordações...

Ficam os sonhos...

Esses eternos companheiros....

...do vazio....



Maria Valadas

sábado, 28 de Novembro de 2009

HOJE...

Pintura de Henri Matisse


Hoje é o teu dia meu amor
És a primavera que nasce em mim
És a esperança sem rubor
És o calor que afugenta os meus medos
E neles, aplanei na planície rasa, os temores
Onde fui tão feliz em teus braços.
E juntos, sorrimos ao universo o nosso amor.
Revivo, o que sussurrámos tão cheios de ardor
Naquela pradaria coberta de flores
Que foi o leito colorido... Tão só meu e teu
E as vestes da cor do arco- íris cobriram
dissimuladamente a paixão que invadiu
aquele momento... Agora tornado recordação!
Hoje é o teu dia meu amor!
Vieste com a manhã reflectida de cores
Relembrar o poema que está dentro de mim
Resistente através dos tempos
E no meu devaneio, respirei os odores
Que abrigo do temor dos ventos
a nostálgica fragrância de jasmim
Neste dia de primavera que nasceu semelhante
Ao dia em que foste meu! 





Maria Valadas

domingo, 22 de Novembro de 2009

ATITUDES

Pintura de Monet

Atitude do gesto...
São palavras não proferidas mas entendidas
Fico amarga e desiludida
Repentinamente fico perdida no espaço
Fico queda e nada faço!
Olho para o abstracto e nada vejo.

Só, no meu canto, lágrimas rolam no meu rosto.
Nada fiz para tamanho desgosto...
Sonhei um amor que não me pertencia
A profecia disse que não o teria.

Amargamente, caminho sem destino...
Quem me vê, pensa que sou um peregrino
Rezo para um perdão
Não quero levar nenhum sermão!

A atitude do gesto foi uma loucura
A minha cara...
É uma máscara de amargura.


Maria Valadas

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

ÁRVORE DA VIDA


Qual árvore depenada
De suas folhas viçosas e reluzentes ao sol
Ah! Que em meus olhos albergam nada
Nem os passos da alvorada
Nem o som do vento que as levou!
Sinto...
Que em mim algo quebrou
O cordão umbilical que se cortou
De laços tão fortes que nos acorrentou!
Chegou o sinal da hora
Das folhas esvoaçarem
Para em outros galhos florescerem
E eu nua das minhas vestes
Sinto-me como um grande iceberg
Nesta vasta solidão!
E elas…as folhas,
Tão quentes com os raios do sol
Que as levaram tão docemente…
E, atiladamente vou recuperando
Desta ausência de folhagem
Por quem a minha alma tanto estremece.
Só com a minha solidão,
Não ouço os sons da madrugada
Os risos do sol acalentam-me
Solidários com a minha nudez interior,
Moderam a minha luta desbravada
E num murmuro sábio…
Fazem reflectir quanta é a verdade
Desta minha saudade
Que sinto!




Maria Valadas

sábado, 7 de Novembro de 2009

QUEM ME DERA....


Quem me dera...
Quem me dera sobre o meu corpo
Caísse uma teia de esquecimento
No tormentoso pensamento louco
Ninguém ouviria o meu lamento.
Como gostava de me perder no eco
Que vai e vem entre montanhas
Celebrar e perdoar ao meu ego
O quanto acreditei em artimanhas
Manhas minhas, sem maldade
Alimentei a tua alma sedenta
Ouvirei a voz até à eternidade
Como uma dor que aumenta!
Cismou o coração e minha alma
De castos e humildes abaixaram
Num assombro de tanta calma
Em silêncio meus olhos choraram!

Quem me dera…
Quem me dera sobre o meu corpo
Caísse uma teia de esquecimento!



Maria Valadas

sábado, 31 de Outubro de 2009

AS MÃOS

Observo o quadro...
Desperta-me a atenção
O que vejo nele…
Só mãos!
De mulher
De criança
E de velho
Mãos de criança,
Macias como o veludo
De mulher,
Esguias e ásperas
De velho,
Enrugadas pela passagem do tempo
Elas, querem falar
Tocaram piano
trabalharam no campo,
As que me despertam a curiosidade…
São umas...
que já têm muito para contar
Por elas passaram gerações
Trazem recordações
Fico a olhar para aquelas mãos...
Que me despertam a atênção.




Maria Valadas

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

PARTILHA

Pintura de Pablo Picasso


Num abraço pelo ombro de alguém
Caminho devagar...
com o meu pensamento
Na minha vertigem não vejo ninguém
No embargo sentido deste meu alheamento.
Falo comigo e exprimo-me!

Fica nenhum canto por observar
Sorrio por dentro exigindo-me
O meu ser sente-se a rejubilar
O caminho torna-se mais suave
Custará pouco partilhar
Já sinto uma leve saudade
Do sentimento lindo que é ofertar

Conviver com o meu semelhante
Reflectir no bem e no mal
Observar pradarias verdejantes
E sentir as ondas do mar!



Maria Valadas