Quinta-feira, 1 de Março de 2012

Incompreendida


Desvio o olhar do tempo, sem alento
Revejo numa melancólica sensação
Que angústia! Vacilo em passo lento
A guilhotina cai sobre o meu coração.

Sou uma ave rara prestes em extinção
Esvoaço nos cumes de galho em galho
Evitando expor toda a minha comoção
Verto lágrimas, concebidas no orvalho.

Neste meu velho diário dissimulado
Solto palavras previamente sentidas
Não! Não quero deixar alguém de lado.

Ah! Que pensamentos me assaltaram
Nas longas mensagens já adormecidas
Em mim! Algo no passado as recordaram.



Soneto: Maria Valadas
Pintura:Henry Asencio

Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Esperança...!


Doravante esperarei pela fragrância
Dos amores-perfeitos e seu colorido
Atordoará um coração sem ganância
Do benefício injustamente perdido.

Decifrarei códigos e decisões finais
Serei espia daqueles amores secretos
Ocultarei com veemência os demais
Cegarei as injustiças e seus degredos.

Nunca será tarde demais para soletrar
Palavras abarrotadas de magnificência
E minha imaginação serenou ao entrar
Ânimo, esperança e certa coincidência.

Ah! Entoarei triunfante o hino de glória
Certo dia, decididamente o versejarei
Coberta de pétalas de amores-perfeitos
Considerarei a entoação a minha vitória.





Poema: Maria Valadas
Pintura: Almada Negreiros

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Meu raio de sol


Aguardei a minha concretização... Sem qualquer tipo de urgência
No dia em que bateu o meu coração... Agi conforme na minha adolescência.

Luz que incendeia a minha alma
Oh, céu que ofereceste a tua cor
O dourado das espigas de trigo
E as árvores sacudiam os ramos
Numa sinfonia alertando alegria.

Nesse dia, fizeram-se regras:
Nasceu o meu desmedido amor
Fiadas de ouro adornam o rosto
Seu olhar azul, gotículas do céu
Expressão encantadora e terna.

Meu pequeno grande amor:
Meu raio de sol
Acalenta os meus longos dias
E, neste em que completas
Um ano de vida…
Sussurro- te:

Obrigada, meu neto... Guilherme.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

É Preciso...!



É preciso reatarmos a paz de outrora
Sermos socialmente justos e aceitáveis
Sorrirmos nos alegres risos da aurora
Sacudir tormentos, fardos inaceitáveis!

Numa antevisão do futuro predestinado
Estratégias ancoradas num mundo real
Desaires confinados no sulco limitado
Integrada concorrência de algo irreal!

Desejáveis atitudes lutam na esperança
De crenças eficientes,causas idealizadas
Contra asfixia e pressão, com vigilância
Em cenas prováveis subtis atemorizadas!

Negocia-se globalmente com temperança
Afastam o grande descalabro de emoções
Eliminam-se ideias nefastas de vingança
E, valoriza-se a paz em todas as nações!





Poema: Maria Valadas
Pintura: William Whittaker

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Jamais...!



Jamais soletrarei aqueloutro amor
Ainda não suprimido na minha mente
Recusarei a sustentar a minha dor
Em meu beneficio previsto finalmente.

Meu carácter cingido, é dissimulação
Algumas circunstâncias ininterruptas
Mentecapto o sentimento do coração
Entrego em considerações corruptas.

Sulco minha utopia na noite sonâmbula
Envolvo aquele reconhecido semblante
Imagino que vou conduzindo a gôndola
No espaçoso mar encadeado, diamante.

Esta visão finda no clarão do amanhecer
Vergada pela melancolia, carpido amor
Protesto que não voltaria mais acontecer
Renego o instante se novamente aparecer.




Poema: Maria Valadas
Pintura: Paula Rego

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Espelhos...!


Espelhos fragmentados de mar
Reflectidos em algodão molhado
Em dor perene de algum cortejar
Na altivez penetrante, desejado!

Deleite jubilado,salpicos de amor
No trilho sublime do longo prazer
Acatamentos idolatrados e, ardor
Do momento cerato, surgia fazer!

Encanto único, sentidos gemidos
Inédito,o tempo da lavrada paixão
Beleza de corpos certeiros fluidos
Regados na mui exaustiva lentidão!

E, lentamente o brilho no seu olhar
Impávidos, ficaram sem esquecer
Quais amantes convencidos a doar
O que Universo lhes quis oferecer!





Poema: Maria Valadas
Pintura:Christoffer Wilhelm Eckersberg

Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Pedidos...!


Pedi à noite para chamar as estrelas
E escrevessem devagar o teu nome
Surgiu no tecto do mundo oito delas
Luminosas, ofuscaram o sobrenome.

Pedi ao dia para ser mais benevolente
Manter o céu da côr do mar e o avistar
Sentir no ar aquela telepatia envolvente
Sacudir as nuvéns para meu bem estar.

Ai! Alma minha pesarosa, não albergou
As oito estrelas que eu tanto ansiara
Mas o destino impôs! E o que condenou.

Agora! Sou sobrevivente de memórias
Quimeras que subtilmente eu desejara
Ficaram nas cinzas da minha história.







Soneto: Maria Valadas
Imagem: Google